Mestra Lala

Ensino Vernacular, Mãos-Lacês.

A paraibana Lala, seus pais e irmãos, saem do estado da Paraíba nos anos 30 para virem morar em Poção, tornando-se vizinhos de Maria Pastora que era natural desta cidade. Contam que Maria Pastora rendava escondida e não ensinava para ninguém por recomendação das freiras, e que, um dia “Tia Lala colocou uma escada subiu e olhou como fazia, então Pastora se arrependeu e ensinou todo o processo”  comenta Vera de Medeiros.

Segundo a pesquisadora Lenice Queiroga em seu livro Lagarta Richelieu diz “Em seguida, D. Áurea Jatobá vê uma palinha confeccionada por Lala e fica encantada com a beleza da renda. Lala e D. Áurea Jatobá, juntas, organizaram um pequeno grupo composto entre oito a dez aprendizes artesãs e começaram a desenvolver peças de renda renascença. Lala foi quem teve a coragem de revelar o segredo da confecção desta renda e de ser a professora e coordenadora do primeiro núcleo de Renascença.” 

Este núcleo teve início na década de 40 e formou novas mulheres rendeiras. A renda renascença se transforma em tradição familiar, passando de mãe para filha. Esta tradição têxtil seguiu, de mãos em mãos, formando inúmeras mulheres-agricultoras-rendeiras e de homens-agricultores-rendeiros, se expandindo por diversos sítios em Poção, Pesqueira, Jataúba e outras cidades na Paraíba.

Retrato da mestra Lala com reflexos de mãos e câmara fotográfica, Vera de Medeiros e o quadro de sua tia. Fotografias Lenice Queiroga.

Lenice Queiroga
Pesquisadora e Artista Multimídia