Associação Cáritas Paroquial do Cruzeiro

A seguir, breve definição de termos que aparecem nas descrições das fotografias sobre a renda Associação Cáritas Paroquial do Cruzeiro de Poção.
“Aranha tecida”- um círculo espiralado preso por linhas em um quadrado de lacê;
“Aranha de ilhós”- o contorno de um círculo vazado preenchido por “richelieu”, que irradiam de um mini círculo vazado ao centro.
“Dois amarrados” – pontos justos que formam minúsculos círculos vazados;
Lacê – fita de algodão fina usada para contornar o desenho preenchido pelos pontos;
“Malha”- tirinhas dobradas ao meio como um pequeno laço geralmente utilizadas, lado a lado, no arremate;
“Pauzinho”- tirinhas bem justas, paralelas, que deixam um pequeno retângulo vazado;
“Richelieu”- pontos mais abertos compostos do ponto, “pauzinho” com o ponto “malha” ao centro;
“Traça”- pontos compridos e apertados em forma de leque;
“Xadrez”- Alternância entre pontos quadrados justos e vazados.
Uma toalha de mesa de renda branca suspensa ao ar livre. Através do tecido transparente, vê-se a silhueta de uma árvore de folhas miúdas, o céu azul e nuvens. No centro da toalha, o rendado de uma grande  flor, contornada por pontos abacaxi, é composto de várias  flores, uma no  miolo, e uma em cada pétala da grande flor. O vento levanta a barra da toalha e revela o tronco fino da árvore e ao fundo uma cerca beirando a vegetação típica do agreste.
Um caminho de mesa de renda renascença branca e de cambraia de linho bordada com flores , está em posição vertical, contra a luz do sol que atravessa um portal. O rendado é composto pontos vazados. No centro, há uma flor de seis pétalas entre os dois tecidos de cambraia bordada. O contorno da peça é ovalado e preenchido por conjuntos de pontos abacaxi.
Uma blusa de renda bege, sem mangas, suspensa, por um graveto, contra a luz do sol que atravessa um portal de tijolos aparentes. A pala é composta por faixas de pontos vazados e retos que se estendem diagonalmente do colarinho até as cavas. Abaixo do peito a trama é do ponto aranha tecida e no centro, há uma faixa vertical de rendado oval intercalado com uma aranha tecida. A barra é composta da mesma faixa na horizontal com acabamento arredondado.
Um sobretudo feminino, de renda branca, mangas ¾ e fechado no colarinho está pendurado em um graveto contra a parede de tijolo aparente. O rendado é floral  com predomínio de pontos vazados e alguns pontos fechados.
Uma peça de roupa feminina de renda com lacê preto e pontos brancos fechados e grandes está pendurada em um graveto. O rendado são espirais preenchidas de pontos aranha tecida, flores de três pétalas de dois amarrados com uma pipoca. As formas são unidas por pontos richelieu e algumas de aranhas de ilhós.
A senhora Ana Barbosa vista do peito para cima, está enrolada em um tecido rendado muito alvo. Ela é morena, tem o rosto enrugado e olha para baixo. O rendado, mesclado de pontos traça, abacaxi e dois amarrados, cobre a lateral do rosto, a cabeça e a testa.

Cáritas

Tradição Contemporânea

A Associação Cáritas Paroquial é composta de mulheres rendeiras que vêm de uma geração onde a renda renascença e a agricultura sustentavam suas famílias. Elas começaram a rendar na infância, aos 8 ou 10 anos de idade, mas foi em 2008 que deram início a esta associação. Integrantes como Ana Néry comenta sobre a renascença “gosto de uma renda fechada e bem acabada”, porém Socorro diz “pontos variados, chama atenção, um bom acabamento e um risco com rosas diferentes e bem ornamentadas”.

O ensaio fotográfico percorre rendas de riscos tradicionais e contemporâneos. Imagens apresentam Rendas-Caligráficas em curvas, linhas, bordados à mão e diversidades de pontos na tradicional renascença. Outras imagens-rendas em formas geométricas, inúmeras Aranhas-Bege e Sianinhas-Diagonais ou grandes Flores-Ramagens-Brancas ou Lacê-Preto com gigantes Aranhas-Brancas de uma polegada, compõem traços mais contemporâneos. Apresento Instalação em Branca-Renda, a suavidade e beleza de D. Ana Barbosa aos 100 anos de idade, que quando jovem ensinou esta renda às suas filhas, e, hoje, lembra pouco da renascença, mas a passagem de Lampião perto do seu sítio, traz ativa na memória.

Lenice Queiroga
Pesquisadora e Artista Multimídia